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Elétrica

Aterramento não se estima, se mede

06 Out 20266 min de leitura
Aterramento não se estima, se mede

A foto é de uma campanha de medição de aterramento em campo. O instrumento no chão é um terrômetro, e os cabos coloridos vão para as hastes auxiliares cravadas no solo, a distâncias definidas pelo método de ensaio. O número que aparece no visor é o resultado daquele ponto, naquele dia.

Insisto nesse detalhe — naquele dia — porque é a parte que mais se perde quando o assunto vira conversa de corredor.

O valor não é uma propriedade fixa da instalação

Resistência de aterramento depende da resistividade do solo, e resistividade de solo depende de umidade. O mesmo ponto medido no fim da seca e no meio das chuvas dá resultados diferentes, às vezes por um fator considerável.

Depende também do estado físico do sistema enterrado. Haste corroída, conexão com mau contato, cabo de descida rompido ou furtado, solda exotérmica que abriu — nada disso aparece na inspeção visual de quem passa pela planta, e tudo isso muda o número.

Por isso a medição tem data, tem condição de solo registrada e tem método declarado. Um laudo que informa só o valor, sem dizer quando e como foi obtido, não serve para comparação futura — e comparação ao longo do tempo é justamente o que mostra que o sistema está se degradando.

O que a NR-10 exige, e o que ela não diz

Fui ao texto. A NR-10 determina que o estabelecimento mantenha esquemas unifilares atualizados com as especificações do sistema de aterramento, e inclui entre o conteúdo do Prontuário de Instalações Elétricas a documentação das inspeções e medições do sistema de proteção contra descargas atmosféricas e dos aterramentos elétricos.

Ou seja: a norma exige que a medição exista e esteja documentada.

O que ela não faz é cravar uma periodicidade. Não há, no texto da NR-10, um prazo de doze meses nem de qualquer outro número. Isso vale tanto para a redação em vigor quanto para a nova, aprovada pela Portaria MTE nº 737 e com vigência a partir de junho de 2027.

A frequência vem da norma técnica aplicável ao sistema e da análise de risco da instalação. O ciclo anual é a prática mais difundida e atende bem à maioria dos casos — mas é um número que precisa ser justificado, e não presumido. Ambiente salino, solo agressivo e instalação sujeita a furto de cabo são situações em que doze meses pode ser tempo demais.

O que uma medição bem feita entrega

Mais do que um número por ponto. O que tem valor para quem opera é o conjunto: o croqui com a localização de cada ponto medido, o valor obtido, o método, a condição do solo no dia, o estado das conexões e das hastes, e a comparação com as medições anteriores quando elas existem.

Com isso o responsável pela planta consegue responder três perguntas que a auditoria faz: onde estão os pontos, quanto deu, e se está piorando.

E quando algum ponto está fora, o laudo precisa dizer o que fazer — se é caso de acrescentar haste, tratar o solo, refazer conexão ou revisar a malha. Laudo que aponta não conformidade sem indicar caminho transfere o problema de volta para o cliente.

Onde isso costuma dar errado

O erro mais comum que encontro não é de medição, é de escopo. Mede-se o aterramento da subestação e esquece-se dos pontos dispersos: a estrutura metálica do armazém, a torre de iluminação, o para-raios do prédio administrativo, a tubulação que entra na área classificada.

O segundo erro é medir sem registrar a condição. Um laudo feito dois dias depois de uma chuva forte mostra o melhor número que aquela instalação vai dar no ano. Se ninguém anotou que choveu, o próximo técnico vai comparar com o dele, medido na seca, e concluir que o sistema degradou — quando o que mudou foi o solo.

Fazemos essa medição com responsável técnico e ART, integrada ao laudo de SPDA quando é o caso, e entregamos no formato que serve para ir direto ao prontuário, sem retrabalho.

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